CASA
CASA : embora tu sejas
A única que temos
Embora amanhã
Seja segunda outra vêz,
Janeiro imenso,
Embora eu possa
Dormir podendo sonhar.
Na noite
A alma de minha mãe
Como espectro,
Casa defende-me.
Não deixes que toquem
O jardim, aonde meu antigo cão
Dorme enrroscado na terra,
Nem em seus ossos sujos,
Nas minhas bolas perdidas
Nos meus abrigos, não deixes que os toquem.
Porque cada porta estranha,
Que eu toco,
Tem uma fechadura
Um naipe de coração vazio.
E sôbre meus quinze anos
Caiu um muro
Numa noite de chuva
Que ainda recordo.
Porque no album de fotos
Há um menino conhecido
Morto em varias pôsses, repetidas.
E a esta hora
Ouço um trem que amanhã
Sairá com os meninos para escursão
Que eu não poderei ir.
Proteje o calendário usado,
Ao meu aniversário
E aos meus sapatos velhos
Que na janela
Hão esperado muito
Na débil esperança
De um presente.
CASA : defende-me
A mim, e os meninos
Que aos sábados a tarde
Não vão ao catecismo.
2007/04/25