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ATÉ QUE SOU


Eu já usei gravata...
Calça quadrada...
Cueca rasgada...
Franja e  topete...
Hoje sou calmo...
Mas já fui periguete...

Já andei de chinelo...
Porque não tinha sapato...
Já criei cachorros e gatos...
Também tive patos...

Já passei fome...
Por dias e dias seguidos...
Me lembro de quando ganhei um pão...
Dividi com um mendingo...

Fui abusado...
Mas nunca abusei...
Inocência de outro...
Nunca tirei...

Já fui crente...
Padre quiz ser...
Me tornei filho de santo...
Estive a ponto de me perder...

Já andei nas madrugadas...
Por estradas prateadas...
Corri atrás de sonhos...
Me vesti de enganos...

Já pintei quadros ...
Já fiz pastel...
Já chorei muito...
Calado, escondido, olhando para o céu...

Vi muitos nascerem...
Outros tantos falecerem...
Pinto minha casa de cal...
E assim será minha morada final...

Já bebi demais da conta...
Até memória perder...
Fumei maconha, cheirei cola e pó...
Só me fiz sofrer...

Fui cabeleireiro...
Feiticeiro...
Prostituto...Vagabundo...
Sou hoteleiro...

Hoje eu virei poeta...
Vivo em um mundo só meu...
Como melhor me condiz...
Para quem nasceu chorando...
Eu até que sou feliz...

Sandro Paschoal Nogueira
Sandro Paschoal
Enviado por Sandro Paschoal em 08/05/2020
Código do texto: T6941562
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Sandro Paschoal
Valença - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
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