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Memória

Ontem viajei de jegue
Dentro do panacum
Brinquei de fazer gente
Gente de barro
Lá no riacho da minha infância
Vi painho
Fazendo fogueira
Arrumando o ramo
Pra embelezar
A reza de santo Antônio
Vi mainha
Mulher parideira
Não por escolha
Mas por circunstâncias
Cuidando da sua filharada
Finda a reza
Tinha sempre dança de roda
E dona Milu não deixava faltar
Os seus deliciosos quitutes
Tinha bolo de aipim
Beiju, café torrado
Mugunzá e pamonha
No terreiro era aquele alvoroço
Muitas brincadeiras, cantorias
Pra saudar o Santo Antonio
O protetor  do dono da casa
Um homem valente
Mas também
Revelava doçura no servir
fazia de um tudo
Consertava motor
Tirava leite e compartilhava
Parte das terras
ele também dividiu
Com os antigos trabalhadores
E emprestava a casa de farinha
Contrariando
Os "meeiros" fazendeiros
Era até parteiro
Às vezes a criançada
Muito apressada
Não conseguia
Escapulir na cidade
E pulava ali mesmo
Na estrada
Bem em frente a sua casa...
Nessa história tem tristeza
Mas vamos deixar pra lá
Queimamos tudo na fogueira
Porque agora
Só vale guardar
O que for bom de sonhar...



Escrita em 29/07, estimulada por uma oficina de cordel , dentro do projeto encontros girantes, organizados pela Gira Girou. Escrita com escuta de cordelistas guiado pelas meninas Elvisa e Fernanda. Mas aqui não é cordel é apena uma imitação.
Lilica Barreto
Enviado por Lilica Barreto em 15/08/2019
Reeditado em 28/08/2019
Código do texto: T6720738
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Lilica Barreto
Salvador - Bahia - Brasil
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Lilica Barreto