GUAXOS"

Valdemiro Mendonça

A casa da fazenda dos meus avôs

Era velha, mas grande e vistosa.

Ficava num aplainado da encosta

Num dos lados da serra formosa,

Que formava um vale verdejante

Denominado de, “o vale das rosas”.

Sustentada por grossas colunas

Projetado sobre o despenhadeiro,

Havia uma varanda bem espaçosa

E era o nosso mirante do sesteiro,

Onde víamos passar o carro de boi

Guiado pelo seu orgulhoso carreiro.

Ao lado direito da fresca varanda

Havia um enorme e belo jacarandá.

E todo o anos milhares de guaxos

Vinham sem falta para ali nidificar.

Por quatro meses ouvíamos a farra

Dos filhotinhos famintos a grasnar.

Criou-se uma lenda sobre o evento

Que no ano que os guaxos faltavam,

A chuva também não aguava o vale.

Todas as plantas e regatos secavam

E todos os roceiros faziam novenas

Até que um dia os guaxos voltavam.

Um dia meus avôs se foram da terra

E o novo dono de mais larga visão,

Cortou a árvore e vendeu à serraria

E trouxe para a terra uma maldição,

E o vale chamado de vale das rosas

Agora se chama “Vale da desolação”

Trovador

Trovador das Alterosas
Enviado por Trovador das Alterosas em 20/04/2012
Código do texto: T3623030
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2012. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.