LADRÃO DE LIVROS...

Viver da Poesia não é fácil
Viver na Poesia muito mais
Tudo começa logo cedo e, depois
Não tem como voltar atrás

Na minha vida de criança
Algumas amizades puras preservei
Todas de igual importância
Outras diversas do prazer, bem sei...

No enlevo do sonho repetido
Esperanças mil as pratiquei pensando
Foi no ímpeto do escrito lírico absorvido
Que meu coração despertou caminhando...

Rumo à vontade do ler, descobrir, escrever
Tornei-me um leitor perdido, sem livro
Bendita a hora por você ter aparecido
No exato momento difícil da aflição

As obras clássicas da Literatura, desventura
Nem sempre as tive facilmente, lamento
A não ser através de um ladrão de livros
Do escritório rico em que trabalhara

Trazendo essas obras de lá, sorrateiramente...
Só para emprestar-nos a um deleite de sonhos
E em voz amena e sorriso do peito, lia com enstusiasmo
O olhar disperso no espaço, disparava em busca...

À leitura de mais uma peça subtraída sem saber
Do suave semblante revelado à emoção pura que sentia
Lia para o meu amigo, passo à passo, a lição que se fazia
Às vezes chorando, noutros sorrindo, assim acontecia...

À cada parágrafo do livro, um suspiro de alívio
Literatura fazia  nossa cabeça, com certeza !
Nós dois, ambos sequiosos em aprender no que se via
Terminando uma história, imediatamente, outra se seguia

Ações comedidas, sem exagero, tempero certo e relicário...
Nada que ofuscasse a vida levava-nos ao cansaço
Buscando e rebuscando, tamanho acaso
Assim, caminhávamos nos meandros do Universo Literário

Mas, a surpresa maior de tudo isso, viera depois...
A razão inexplicável de toda essa proeza,
É que eu sabia ler e o meu amigo não ! Por quê ?
Não conseguia entender ! Os atos por ele praticados

Coitado..transcendem aos limites intrínsecos da razão,
Apoderar-se de um livro prá ler por não poder
Sim é errado ! Eu sei ...deve ser respeitado
Deve sim ser devolvido. Por isso temos lutado

Mas se alguma pena lhe for impingida, afirmo !
Dividam-na comigo... também fui beneficiado !
Esse foi um bom ladrão, merece ser perdoado
Considero-me filho de seu pecado...

Obrigado amigo por ter-me ajudado, obrigado !
No exato momento de minha agonia
Naõ sei dos limites da reverência tardia
Você bem que podia ter-me avisado

Faria toda a questão de agradecer-lhe em vida
Em tempo, descobri o que verdadeiramente se passara
Resta-me tratá-lo com palavras afetuosas
Assim como você gostava ouvir na ocasião...

Valeu a intenção ! Que Deus o receba de braços abertos
Decerto já lhe concedera o crédito 
Necessário ao alcance do perdão !
Dádivas do coração, é tudo que me resta agora...



Paullo Carneiro
Enviado por Paullo Carneiro em 06/03/2012
Reeditado em 25/10/2012
Código do texto: T3539168
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