Anjo Severo 

 

Meu anjo severo, de duras asas...

As penas caem quando tu voas,

E elas furam os telhados das casas. 

 

Meu anjo de olhar tão frio, tão duro,

Que de soslaio me fita, sempre do escuro,

Lançando uma prece para me proteger;

Anjo imaturo, por acaso sabes

O que é estar no mundo, o que é viver? 

 

Meu anjo da guarda,  por Deus indicado,

Será que tu morres de tédio 

Ao contemplar esse meu monótono fado?

Tu fechas os olhos, tu bates na testa

Ao ver que ignoro, diante do espelho,

Mais um dos teus conselhos!

Meu anjo severo, eu juro que eu tento,

Eu juro que eu quero, 

 

Mas eu não consigo legar-te trabalho!

E assim, tão cansado de mim, 

Tu ficas prostrado por sobre o telhado

Desse meu quarto fechado,

Sem nada a escrever nesse livro pesado

Que Deus te deu.

 

Ana Bailune
Enviado por Ana Bailune em 25/03/2024
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