Estamos em pleno mar…
e as formigas estão sendo
pisadas pelos meus pés enquanto eu penso nas pessoas que, no fundo, no fundo;
eu queria me desligar de toda educação e gostaria muito de mandá-las
… tomar no cu.
Eu chuto ondinhas de água
continuo matando formigas…
e já não é mais réveillon.
E as formigas continuam morrendo
eu vou matando elas sem sorrisos
mas também, sem sentir absolutamente nada, nem pena,
nem alegria… nada
eu oscilo entre sentir muitas coisas
e a não sentir absolutamente nada…
… vazio.
Anteontem eu joguei um pano molhado no chão
do banheiro e simplesmente o “esqueci” lá…
Mas a madrugada é minha
e a poesia é minha; ela é o meu puteiro; e minha popularidade
entre formigas e entre seres humanos… continua caindo.
... que se fodam.
Eu continuo exagerando como um poeta…
e como se me importasse,
mas quando as portas de casa
se fecham… as coisas mais importantes do mundo são…
salgadinhos, discos de vinil, banhos quentes
e séries de humor dos anos noventa.
A beleza da coisa toda, desde
o meu primeiro poema, aos 16 anos, p'ruma garota loira
que usava aparelho e se parecia uma miniatura
de Mariah Carrey, ainda é a mesma beleza de antes...
A beleza de que quase ninguém
lê porra nenhuma nesse país e uma grande parte gosta
de bater continência pra caixas de cloroquina
e punheta para soldados entediados.
Eu queria continuar escrevendo
sobre um monte de coisa e ao mesmo tempo coisas
que quase não são importantes demais pra ninguém
além de mim;
mas minha mãe me ensinou a ser educado
e tudo que eu queria era poder ofender
algumas pessoas, mostrar minha bunda pra elas...
cagar na porta da casa delas, mijar
em suas plantas...
E xingar alguns lugares sujos
de minha casa também…
e lugares sujos… alojados
... no meu peito.