Estamos em pleno mar…

e as formigas estão sendo
pisadas pelos meus pés enquanto eu penso nas pessoas que, no fundo, no fundo;

eu queria me desligar de toda educação e gostaria muito de mandá-las

… tomar no cu.

Eu chuto ondinhas de água
continuo matando formigas…
e já não é mais réveillon.

E as formigas continuam morrendo
eu vou matando elas sem sorrisos
mas também, sem sentir absolutamente nada, nem pena,
nem alegria… nada

eu oscilo entre sentir muitas coisas
e a não sentir absolutamente nada…

… vazio.

Anteontem eu joguei um pano molhado no chão

do banheiro e simplesmente o “esqueci” lá…

Mas a madrugada é minha
e a poesia é minha; ela é o meu puteiro; e minha popularidade

entre formigas e entre seres humanos… continua caindo.

... que se fodam.

Eu continuo exagerando como um poeta…

e como se me importasse,
mas quando as portas de casa
se fecham… as coisas mais importantes do mundo são…
salgadinhos, discos de vinil, banhos quentes

e séries de humor dos anos noventa.

A beleza da coisa toda, desde
o meu primeiro poema, aos 16 anos, p'ruma garota loira

que usava aparelho e se parecia uma miniatura
de Mariah Carrey, ainda é a mesma beleza de antes...

A beleza de que quase ninguém
lê porra nenhuma nesse país e uma grande parte gosta

de bater continência pra caixas de cloroquina
e punheta para soldados entediados.

Eu queria continuar escrevendo
sobre um monte de coisa e ao mesmo tempo coisas

que quase não são importantes demais pra ninguém
além de mim;

mas minha mãe me ensinou a ser educado

e tudo que eu queria era poder ofender

algumas pessoas, mostrar minha bunda pra elas...
cagar na porta da casa delas, mijar
em suas plantas...

E xingar alguns lugares sujos
de minha casa também…
e lugares sujos… alojados

 

... no meu peito.

 

Henrique Britto
Enviado por Henrique Britto em 19/01/2025
Código do texto: T8244622
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.