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Tudo foi nosso (Uma avassaladora saudade)

                                                                            C.L.S.S., 2011-2017

Você é como o mais puro vinho, de uvas das mais delicadas.
Sentindo a pressão dos momentos, vivenciando o sofrimento;
da minha parte - disso, jamais me orgulhei: sim, muito contribuí.

Era quase imperceptível no toque, como cachos de uvas manuseadas
com completa atenção.
Você foi marcante, vigorosa, dentro de mim,
como o saborear de um fino Merlot. Chocando meu paladar para o prazer aterrissado em meu confesso coração.

Não, você não está raciocinando comigo. Sei que não está aqui. Não estará. Quisera eu, mas, o que eu poderia?
Nem mesmo eu me escolheria.
Pois, é de você, é sua a conquista da escolha. Duma vez, fomos separados. Rumos outros foram traçados.
Assim como uma vez, na vida, fomos unidos e para valer.

Mas, de tudo aquilo que recordo, no respirar de um completo momento,
num misto de feliz assombro, de triste e sutil segundo,

numa avalassadora saudade,

é seu olhar de potência, límpido, vigoroso, puro, despido e intenso.

Ali, naquela sutil e atemporal experiência existencial,
vi mais claramente a pureza e a intimidade da alma dessa bela mulher,
uma completa e sublime essência, como jamais antes percebi.

Não. Eu lembro, eu sei: não sou e nunca fui digno - é um consenso -
sequer de esquentar suas mãos com as minhas,
sequer de olhar para você se você não me permitisse.
Ao me trair, causei toda a dor, e mesmo sem mais ninguém, bastou
a mim mesmo, a tudo, silenciar
- sempre como menino, que não soube lidar
com a mulher que você é/foi/será perpetuamente.

Sim. Eu, imaturo, sem saber escolher
nem antes, nem agora, cada uma das minhas
escolhas que, se minha vida aquiescesse,
eliminaria algum "e se não?"
que, volta e meia, é isso mesmo. Foi o que restou.

Eu falo sério... mas, talvez sejam palavras que nunca te encontrarão.
Assim como aquele olhar... nunca mais mais algum outro sutil segundo.

Porque, assim como o fino vinho não retorna ao belo ornamento onde incorporado descansa, só me resta conservar você, até o fim da escala temporal,
com o máximo da pureza - não consigo ir além do mais sofrível

silêncio...

Conviver assim, comigo mesmo? É.

Na vida, muitas vezes é compatível,
com a dor e o destroço,
a esperança - na manga, um persistente ás -
para que nos confronte
com a realidade de momentos
que tornam a saudade... inevitável.

Não vou rimar <<saudade>>, aliás!

Quero combinar com o silêncio...
Só resta isso. Não está tudo bem, mas, as coisas são assim. É o que é.

Que silêncio, que ausência! Para mim, mais insuportável

do que, de uma vez, eu venha a desvanecer e morrer.

Mas dizem - como sempre -  que a vida deve proceder.
"As coisas são assim".

Antes de seguir, então: se você ler e terminar a dor escrita, que te encontre
o meu abraço em seus pensamentos,

pois, toda aquela química, pressão, aromas e olfatos, tudo foi nosso - naquele abraço. Dali, também não consigo mais não pensar na mulher
que permanece em recônditos celestialmente púrpuras/lilás

- aquele nosso céu de paredes roxas - lá no fundo do meu coração.

E, fico assim, na sua ausência inevitável,
ao recordar seu puro olhar, a mim, sorrindo...
Vitor Fontana de Ávila
Enviado por Vitor Fontana de Ávila em 17/08/2019
Reeditado em 15/09/2019
Código do texto: T6722402
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Vitor Fontana de Ávila
Santa Maria - Rio Grande do Sul - Brasil, 28 anos
221 textos (11837 leituras)
2 e-livros (31 leituras)
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Vitor Fontana de Ávila