DESGOSTO
DESGOSTO
Um amargor que não vai
Uma frustração que não sai
Um viver que se esvai
Uma revolta sem volta
Contra tudo e si
E tudo é um se
Um se não fosse você
O que seria
Um novo dia
Ou trevas
Longevas
Qual esta
Que domina
Que é persistente
Que mata a gente
E lá na frente
Não há amanhã
Só anteontem
Já não houve ontem
E não mais haverá
O mais leve sonho
Só pesadelo
Um emaranhado novelo
De vida sem vida
De despedida
De tardio acordar
De pensar, relembrar
O que não houve
O que poderia ter sido
Essa quimera
Eterna espera de esperança
Que vira antônimo
E traz desesperança
Aflição, exasperação
Pelo nada ter feito
E contrafeito
Aceitar a situação
Não há como desenredar-se
Apropriar-se
De um recomeço
Cujo preço
Não há como pagar
Resta o caminhar
Pelos mesmos caminhos
Sem rota de fuga
Apenas uma linha
Que dita na folhinha
Um chegar distante
Que queria abreviante
Triunfante
A última morada