Velha Raça

E isso é tudo

O que nos vai ficando

Já, dos índios.

A exótica visão do Cacique Raoni

Que quando a cidade com os seus visita,

Acha em nossos olhares

Um assombro curioso de turistas.

E as histórias dessas tribos

Metidas nas selvas,

Que parecem ignorar todavia

Até a chegada de Cristovão Colombo.

E vivendo tão perto de nós,

Pisando o mesmo solo,

Se nos voltam cheios de lendas.

E despreocupadamente

Fazem sua vida às costas

Desta civilizada vida nossa.

E a notícia breve

Fatal, como um flechaço,

Do mutirão que espera a chegada dos brancos

Que virão colonizar sua terra

E empurra-los mais para além.

E mais nada, mais nada . . .

Penachos de plumas destemidos,

Idolos, flechas velhas . . .

Objetos de museu,

E lendas, e lendas . . .

As vêzes uns olhos

As rugas de uma cara,

Nos dizem que ainda circula entre nós

O sangue, a alma, da velha raça.

Quando penso estas coisas

Desperta em mim o grito

De uma raiz profunda, de uma remota dor.

E meus cabelos pretos ?

Minha pele branca, meus olhos . . . ?

Sinto vergonha dêles

Como de uma traição !

2007/04/16