Não! Minha poesia não serve para isso
Para mandar recados que ou não quer
Ou não sabe mais ouvir, se é que ouve
No mínimo, serve para dize que te amo
Mas nem isso sei se ainda posso dizer
E nem sei se ainda posso ainda sentir
Sentindo assim tão inutilmente...

Não! Minhas forças não suportam isso
Sentir distâncias que se alastram tanto
E momentos que se perdem tanto em vão
Nesse medo e desejo de esquecimento
Então sei que vai ser só meu este silêncio
E toda a culpa de não ser tudo diferente
Ou tão igual quanto não soubemos querer

Então vai! Carrega pra longe o teu olhar
Essas palavras nunca vão te alcançar
Carrega também todas as lembranças
Não são as velhas e mortas esperanças
Que te farão talvez um dia querer voltar
Volta e sepulta o que é meu no horizonte
Que eu prometo não ser o sol a despontar

Não! Eu não vou te prender num sonho meu
Não vou te prender nessas palavras tão tristes
Que tristemente não sei mais quem esqueceu
Não vou esperar o pesadelo simplesmente acabar
O pesadelo vai ter que me encontrar desperto
E bem de perto o pesadelo vai ter que me olhar
E me dizer de uma vez por todas que não posso

Que eu não posso nem mais sonhar...
Marcos Lizardo
Enviado por Marcos Lizardo em 11/09/2010
Reeditado em 01/08/2021
Código do texto: T2490857
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