O inferno não existe
Eu sei...
Mas desci nele
Inevitável castigo
E não dá para retornar puro
Ter bons pensamentos
Sorrir e suspirar ao entardecer
Desci ao inferno para me encontrar lá
Como realmente sou
E para saber que somos todos assim
Cheiramos a mofo
Temos os olhos no futuro
E os pés no passado
E no presente temos medo
Transpiramos ansiedade e angústia
Exalamos melancolia
Essa coisa meramente humana
Que nos torna todos assim
E nos torna todos iguais
E fingimos
Fingimos ser quem não somos
Fingimos ser o que não somos
Fingimos ter aquilo que não seguramos
E não precisar daquilo que queremos
Fingimos voar
E chafurdamos na lama
Fingimos andar eretos
Quando rastejamos sobre o pó
E fingimos superioridade
Mas matamos por esporte, medo ou inveja
Por cobiça ou por prazer
Destruímos tudo a nossa volta
Tomamos o que é de outro
Disfarçamos nossa covardia com a violência
Renegamos nossa divindade
Prostituímos nossa humanidade
Tentando ser menos do que o mínimo que podemos ser
Maculamos nossa essência
Machucamos nossas crianças
Esquecemos nossos velhos
Nós somos o inferno
E o que é o inferno
Sempre esteve dentro de nós
E sempre foi aquele pensamento fugidio
Aquela estranha voz
Aquele sentimento de impotência
Diante da imensidão do mistério
E do absurdo da existência
De uma provável verdade
Marcos Lizardo
Enviado por Marcos Lizardo em 16/11/2009
Reeditado em 28/08/2021
Código do texto: T1927596
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