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Poema-Reflexo

Um não querer pensar em nada
Que é o descontentamento do meu estar cansado
É um vale de me fazer vagão vazio,
O pedido de alento aos que passaram e sabiam.

Um-não-estar-aqui nada esclarece
Perguntas que são também vazias.
As novas almas nada sabem.
Capta então em mim o reflexo passado.

Apenas para de falar e me ouve.
Deixa que a minha voz seja palco agora.
Enlouquece com a minha sobriedade
E não faz da minha lucidez uma saudade.

Devolve-me algumas cores pelo menos
- O preto e o branco já me enjoam –
O meu silêncio já não mais é resposta
Busca com quem sabe, mas faça em silêncio.

Tira o desespero porque eu já não posso
Cura a dor e remenda a alma.
Deixa retalhos conscientes para que eu me lembre
Que são apenas vozes, mas que com pesar eu sei que são minhas.

Obras de arte do meu passo em falso
Da minha nenhuma culpa de ser tudo
Se você pudesse ser gentil
Eu não me intoxicaria com o perigo que é você

Eu persisto a dizer que não serei comboio
E que tenho consciência de ti a todo tempo:
Na rua
Em casa
Na minha consciência
Nos rostos dos que me salvam
Nos meus detalhes
No meu copo de café
No meu corpo
Na minha alma que chora
Na lágrima que já não tenho
No fracasso ignominioso
Em molduras caladas
No meu desinteresse
Na sede de escrever que me livra da morte
Nos versos que não ouso terminar
Nas cartas que deveria ter enviado
No fundo etéreo dos olhos que me amam.

Não tens vergonha de roubar-me até os sonhos?

Lembro-me de um passado não tão longo
Onde eu não tinha esse rosto.
E é da máscara que eu não usava
Que ainda posso sentir saudade do gosto.

Se tu fosses minha amiga eu entenderia
Que me ensinaste o amor.
Porque assim como você me quis
Eu te quis também.

E por isso, hoje a noite de orvalho canta.
E eu posso escrever versos mais tristes
E te enviar pelo inventor das dores.
Os versos mais belos e egoístas que eu talvez pudesse escrever.

Para ludibriar seus olhos e se arrepender
Por querer me levar.
Porque não pode arrancar os sentimentos
Daquele que ensinaste a amar.

- Mas não se confunda, porque é só por hoje!
L Figueiredo
Enviado por L Figueiredo em 14/06/2009
Reeditado em 28/08/2012
Código do texto: T1648714
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
L Figueiredo
Varginha - Minas Gerais - Brasil
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L Figueiredo