AUSÊNCIA IV







Uma noite
Bateu à minha porta...
Algo incompreensível
Não tinha rosto
Não tinha sangue

Silentemente bateu à minha porta...
Não falou o nome
Não vi seu corpo

Silenciosamente bateu à minha porta...
Não fumou cigarro
Não me trouxe flores...

Discretamente bateu à minha porta...
Não vasculhou minha gaveta
Não trocou o travesseiro

Vagarosamente bateu à minha porta...
Não chorou saudade
Não ouviu os meus discos

Apenas bateu à minha porta...
E constatou que eu estava vazio
Que meu peito sangrava...
Após o assassinato da minha
Alegria.
Ausência... Por que tu me matastes?...