CORAÇÃO DE LUTO (Teixeirinha) - Série Pérolas do Sertão do Caipirinha

O maior golpe do mundo

Que eu tive na minha vida

Foi quando com nove anos

Perdi minha mãe querida

Morreu queimada no fogo

Morte triste, dolorida

Que fez a minha mãezinha

Dar o adeus da despedida

Vinha vindo da escola

Quando de longe avistei

O rancho que nós morava

Cheio de gente encontrei

Antes que alguém me dissesse

Eu logo imaginei

Que o caso era de morte

Da mãezinha que eu amei

Seguiu num carro de boi

Aquele preto caixão

Ao lado eu ia chorando

A triste separação

Ao chegar no campo santo

Foi maior a exclamação

Taparam com terra fria

Minha mãe do coração

Dali eu saí chorando

Por mãos de estranhos levado

Mas não levou nem dois meses

No mundo fui atirado

Com a morte da minha mãe

Fiquei desorientado

Com nove anos apenas

Por este mundo jogado

Passei fome, passei frio

Por este mundo perdido

Quando mamãe era viva

Me disse: filho querido

Pra não roubar, não matar

Não ferir, sem ser ferido

Descanse em paz, minha mãe

Eu cumprirei seu pedido

O que me resta na mente

Minha mãezinha é teu vulto

Recebas uma oração

Desse filho que é teu fruto

Que dentro do peito traz

O seu sentimento oculto

Desde nove anos tenho

O meu coração de luto.

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TEIXEIRINHA

(3/3/1927 - 4/12/1985)

Vitor Mateus Teixeira – TEIXEIRINHA - Nascido no interior do Rio Grande do Sul, ficou órfão muito cedo e foi para Porto Alegre, onde trabalhou como ambulante, entregador, jornaleiro, carregador de malas. Depois de trabalhar seis anos como operador de máquinas no Departamento de Estradas de Rodagem decidiu dedicar-se à carreira artística como cantor, atuando em rádios do interior, em cidades como Lajeado, Estrela, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul, Passo Fundo. Em 1959 foi para São Paulo, onde gravou seu primeiro disco de 78 rpm, com as músicas "Xote Soledade" e "Briga no Batizado". O grande sucesso só veio em 1960, quando Teixeirinha gravou "Coração de Luto", que vendeu mais de um milhão de cópias. Mesmo com o estrondoso sucesso, o cantor não quis se mudar para São Paulo, e fixou residência em Porto Alegre. Trabalhou em circos, parques, teatros, cinemas e casas de espetáculos, e usava uma Kombi para excursionar pelo Brasil. Teixeirinha atuou também em cinema, escrevendo o filme "Coração de Luto" em 1964 e participando como ator de "Motorista sem Limites", em 1969. Em seguida criou sua própria produtora, que lançou dez filmes. Foi radialista, apresentando um programa de rádio durante 20 anos. Em toda a carreira, gravou mais de 700 músicas de sua autoria, registradas em quase 50 LPs. Atualmente funciona em Porto Alegre a FVMT, Fundação Vitor Mateus Teixeira

Não podemos esquecer sua grande companheira e mulher, Mary Terezinha, que em 1961, apresentava-se na Rádio Bagé, quando conheceu o cantor Teixeirinha, iniciando com ele um relacionamento amoroso e uma carreira que duraram 22 anos. Com ele gravou diversos discos e participou de vários filmes, cujas trilhas sonoras eram interpretadas pelos dois, entre os quais, "Ela tornou-se freira" e "O afilhado". Em 1961, gravou a milonga "Gauchinha fronteirista" e o arrasta-pé "Sou levada", ambas de autoria do casal. Em 1962, gravou pelo selo Sertanejo, a milonga "Não chores, querido", de Teixeirinha e a guarânia "Deixa meu amor", de sua autoria. No mesmo ano, gravou a valsa "Sinos de Natal" e o tango "Acordei chorando", as duas de sua autoria e Mineirinho dos Perdões. Em 1978, lançou pela gravadora Continental, o LP "Mary Terezinha". No mesmo ano, começou a afastar-se de Teixeirinha, de quem se separaria de forma definitiva, em 1982. Em 1989, escreveu o livro "Agora eu falo", em que relata sua atribulada relação amorosa com o cantor.