A HORA DAS ACÁCIAS

“A morte no rosto de meu pai

era uma flor de cera derramada..."

Walmir Ayala.

Meu coração está aqui,

neste olhar de espanto.

Triste estou por tua ausência,

Pai,

tuas espaldas largas,

o coração escondido.

O espelho, todas as manhãs,

mostra-te em mim.

Sei de ti por ele,

que me recorda o passar dos dias

e a presença antiga de teus ais

em minha vida.

Nesta permanente inquietude

não posso conter a tristeza.

Quem te chama no horizonte

é o mesmo menino possesso.

Bordo a túnica do passado

com o ouro não sabido.

No curso inexorável do tempo,

a única herança é a lágrima.

– Do livro O POÇO DAS ALMAS. Pelotas: Universidade Federal - UFPEL, 2000, p. 72.

http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdesaudade/42182