Cagada

Penso com meu caixão, de onde essa indigestão?

Pesco uma suposição, diabo do amassado pão!

Dias e anos de comilança, desde muito criança

Esbaldava-me em lambança, criadora de pança

Troveja como se fosse desaguar

Suo como prestes a desmaiar

Ando devagar e leve, esse aperto meu

Sem poder mais travar, a imundície desceu

Sai no primeiro passo, intrometida e fedorenta

Cai em meio desabafo, dita merda lazarenta

Foi violenta e rude, fez longa saída

Encorpada e maturada, nutrida lombriga

Faz rastro por onde ando, pegajosa

Faz vítimas por engano, impiedosa

Tanto mole ou dura, bate até que fura

Cria da gastura, rainha da levedura

Vazia, esfomeada, empilhada na bancada

Banquete de pataquada, que venha a próxima cagada

Kari Barthô
Enviado por Kari Barthô em 06/03/2025
Código do texto: T8278998
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