Cagada
Penso com meu caixão, de onde essa indigestão?
Pesco uma suposição, diabo do amassado pão!
Dias e anos de comilança, desde muito criança
Esbaldava-me em lambança, criadora de pança
Troveja como se fosse desaguar
Suo como prestes a desmaiar
Ando devagar e leve, esse aperto meu
Sem poder mais travar, a imundície desceu
Sai no primeiro passo, intrometida e fedorenta
Cai em meio desabafo, dita merda lazarenta
Foi violenta e rude, fez longa saída
Encorpada e maturada, nutrida lombriga
Faz rastro por onde ando, pegajosa
Faz vítimas por engano, impiedosa
Tanto mole ou dura, bate até que fura
Cria da gastura, rainha da levedura
Vazia, esfomeada, empilhada na bancada
Banquete de pataquada, que venha a próxima cagada