A Mulher Criança

Nota: esta poesia foi originalmente publicada em 12/10/2016 e hoje é reeditada com o complemento do belo texto "Alegria que o tempo não leva" assinado pela Bruxinha Faceira, nossa colega do Recanto das Letras.


A MULHER CRIANÇA
Miguel Carqueija

Eu sei que já sou crescida
mas simbolizo a esperança:
mesmo a mulher já vivida
guarda um pouco da criança!

Esta é a nossa natureza,
entre o homem e a criança:
com ternura e singeleza
dançamos a nossa dança!

É por isso que a mulher
tanto ama a natureza,
sábio é aquele que souber
respeitar sua nobreza!

Ser criança é ser alegre
mesmo quando está com febre,
seguir sempre o coração
e gostar de pé no chão;

amar flor e cortesia,
e brincar com a titia;
ter sempre um sorriso lindo
transmitindo amor infindo.

A gente até já cresceu
mas não esquece o passado;
recorda o que sucedeu,
e que deve ser lembrado:

as revistas em quadrinhos,
as animações tão belas,
as farras com os irmãozinhos,
recordações tão singelas.

Por isso nunca renego
a guria que há em mim;
inda sou petiz, não nego,
e serei até o fim.



E nunca deixo passar
o amor pelos animaizinhos,
se adulta é desprezar
os cãezinhos e gatinhos

e também os passarinhos
adulta eu não quero ser:
aos bichos faço carinhos,
eles são um bem-querer.

Jesus falou no Evangelho:
— Sejam como as criancinhas!
Você pode até ser velho
mas estime essas alminhas!

E por falar em velhice
respeito cabelo branco!
Não pense que é tolice,
o velho tem seu encanto!

Pois quem viveu muito tempo
sabe muito mais que nós,
nesta vida é um contratempo
se falta amor aos avós!

E pra mim é importante
falar sempre com doçura,
ter sorriso a todo instante,
ter na alma formosura!

Que a vida afinal é bela,
só depende do olhar:
tenha sua alma singela,
viva somente pra amar!

Borboleta, verde e flor,
o céu da cor de anil,
olhar todos com amor,
esta é a mulher infantil!


Rio de Janeiro, 30 e 31 de julho de 2016.







ALEGRIA QUE O TEMPO NÃO LEVA

Bruxinha Faceira


Não importa...
Modelo ou tamanho
É ela que faz a alegria da meninada
Colorida ou lisa
Brilhante ou fosca
Nova ou riscada
Tudo é levado na brincadeira
É tal de corre-corre
Agacha e levanta
Joelhos no chão
Poeira nas mãos
E no meio de tudo
A gritaria rola solta
Que quase não se ouve
Os brindes uma nas outras
Brincadeira de criança
Lembranças de uma infância
Hoje quase totalmente esquecida
Tempos da casa da vovó
No baú guardado com tanto carinho
Encontrei minha maior raridade
Um saquinho todo surrado
Já envelhecido pelo tempo
E dentro minhas joias intactas
Que me pediam suplicantes
Que brincasse com elas mais uma vez
Juntei o saquinho nas mãos
E atendendo seu desejo
Corri até o cajueiro
E deixei se embolassem soltas
Foi inevitável minha gargalhada
Voltei no tempo
Tamanha minha alegria
Que agora depois de grande
Ainda brinque
Com bolinhas de gude...




Meu nome é Bianca Cristina Carvalhares tenho 36 anos, sou casada, nasci em Várzea Paulista e atualmente residindo em Jundiaí. A leitura e a escrita sempre foram uma paixão para mim e desde que consigo me lembrar a carrego comigo, aspirante no caminho recebi o apelido de Bruxinha Faceira de um amigo de trabalho o qual tive muito apoio, ele meio que bisbilhotava o que eu escrevia kkkkkk, e sempre me dizia “você é uma bruxa, como consegue fazer essas coisas, não tem como não ler até o final, menina você não é normal‘‘ e foi assim que encontrei coragem para começar a postar meus textos. Não tenho nenhum curso acadêmico, mas uma coisa eu tenho: a paixão no coração e a ternura no olhar para admirar tudo que o papai do céu nos deu.


Imagens da internet; figura de Suzumiya Haruhi (personagem de Nagaru Tanigawa em livros e mangás lançados no Japão) gentilmente cedida pela Bruxinha Faceira.