Inevitávelmente
Desmaio em teus braços pulsantes,
no cair da noite,
na latência do teu coração.
Entre quatro paredes,
sou entrega,
desejo ardente —
tal qual o sol do meio-dia.
Te incorporo em mim, e
sou anexo de tuas entranhas.
Sou teu.
És minha.
De gota em gota,
ingresso em tua essência,
me derramo inteiro
feito perfume,
lírio,
lavanda
e mel.
Em gozo vibrante,
espalho-me
sobre tua pele,
sob tua pele —
sou todo pele.
O cansaço é nuvem
no lençol branco que me envolve.
A noite desmaia comigo,
e o amanhã
repetirá o hoje —
inevitavelmente.
Devo me retirar de ti?