ENTRE O ENLEVO E A AUSÊNCIA

Busco refúgio no enlevo da poesia,

Onde teus olhos se fundem ao clamor da lua;

Transpondo a inefável distância que nos afasta,

Encontro momentos de alma nua.

E tu me reconheces na voz rouca da solidão,

Que me veste com o suspiro de nosso amor;

Ao entoar os pulsares intensos do meu coração,

Retornas-me aos teus braços com destemor.

Vens imprimindo marcas do que já se foi,

Reavivando lembranças em doces nostalgias;

Tuas mãos, repletas de carícias, sussurram: "Oi",

Aqui estou, para amar-te em felizes sinfonias.

E, diante de tudo, seja dia ou noite que findou,

Continuaremos entrelaçados em harmonias.