Porto-Amor-Seguro
Pensamentos escusos
corroem o meu ser.
Desconheço meus atos.
Não meço meus encalços.
Luto com meus demônios.
Que zombam de mim.
Eles vão!
Eles voltam !
Desisto de lutar...
Os pensares, do meu impensar,
se fundem numa dança
inconstante no tempo.
Desconheço-me!
Vejo-me como um louco insensato,
que navegou em outros mares,
provando novas iguarias,
inalando novos venenos,
em portos não seguros.
Agora ouso romper o silêncio
da minha loucura,
clamando por ti,
implorando o teu corpo.
Pois nele hei de mergulhar sem medo.
Conheço teus venenos.
Inalo-os sem medo...
Em ti sei quem sou,
pois és meu porto-amor-seguro.