... Pela primeira vez

Quando te vi, pela primeira vez,

Foi como se eu tivesse compreendido tudo:

Cada sílaba, cada palavra, cada frase,

Encadeando ideias absolutas.

Quando te ouvi, pela primeira vez,

Senti vibrar em meu pensamento

Formas ideais silenciando,

Suavemente, minha angústia.

Quando conversei contigo, pela primeira vez,

Deixei que tua voz tocasse minha pele,

Vibrando os poros dos meus sentidos,

Dançando ao som do teu sorriso.

Quando te, vi pela primeira vez,

Senti o hálito de cada som

Que espumava de tua boca,

Dominando minha atenção.

Quando te ouvi, pela primeira vez,

Um conceito se criou aos meus olhos,

Passando somente a enxergar o mundo

Pelos teus lábios dominadores.

Quando conversei contigo, pela primeira vez,

Fui pegado por imagens perfumadas

Em que a melodia do mar, desta noite,

Fincou tua lembrança nesta folha.

Quando te vi, pela primeira vez,

Foi como se tivesse nascido naquele instante.

Quando te ouvi, pela primeira vez,

Foi como se tivesse ouvido uma sinfonia unicamente.

Quando conversei contigo, pela primeira vez,

Foi como se tivesse falado com a Beleza, arrebatadoramente.

Mas tudo ficou:

Cego,

Mudo,

Surdo,

Pela última vez,

Sem paixão,

Apenas silêncio,

Na suave ausência.