Varanda
Quando as mãos se dão
falam a linguagem do silêncio,
proclamam os olhos que entendem,
varandas abertas para o mundo.
São rouxinóis que cantam a liberdade,
despidos do pudor, do orgulho,
explodem de amor, contra a violência,
na ousadia, de gritar sem irreverência
no calor da boca, no silêncio das mãos
que os olhos confabulam na sacada da vida.
E ao servo fiel que a mão espalma
recebe o silêncio do olhar amado,
nos laços firmes das mãos que não se negam.
Eis o dom, o poder,
a posse imensa de ser entendido
sem hesitar entender.
É o amor que aflora,
salta pelas varandas, contempla o mundo
no pequeno momento que se existe,
no grande sentido de sentir.
Eis o toque dos clarins
nas pautas que o sonho compôs.
Prefiro enxergar assim
o curto tempo que basta
e que se viva, enquanto se faz violenta
a raça humana pelo poder,
mesmo cientes que o igual dado impera
após o último suspiro.
Vinde, enlace minhas mãos
enquanto há tempo, resta um sopro,
a brisa passa leve,
o tempo fica curto, breve,
e as palavras hão de passar.
Mas o silêncio é imorredouro,
há sempre de dourar o amor,
enquanto existir algo chamado sensibilidade.