O inevitável


Eu estava sozinho.
Sob meus olhos, o reboliço das ondas.
E eu amei seus olhos, azuis, refletidos nas águas.
Amei sua imagem, nas algas, que postadas,
Sob meus pés, pareciam implorar,
De minhas mãos um afago.
E eu amei o infinito, o espaço,
Que projetado em um só traço,
Delineavam seu corpo.
Mas, eu estava só,
A espera do inevitável,
O ocaso, a hora da saudade;
Do pássaro do cântico triste.
E eu amei você, um segundo, um minuto,
Por um só momento.
Agora estou só,
Até mesmo, minha sombra se foi com o ocaso;
Virá o inevitável, ela voltará.
E você, que amei na brisa afável,
Seja a consequência de meus passos.
Que eu ame o infinito, perdido em seus braços,
Fazendo de você o meu inevitável.