Olhos

Um olho margeia

Os sinos dos tempos

As gotas que clareiam

A imensidão de um olhar.

Um olho tímido

Persegue a cor

Dos timbres similares

Dos tons da tua voz

Que parecem saltar

Do vento

Do tempo

Do momento

Em que me lembrei de te lembrar

Se propuseram um altar

Na cabeça de quem sonha

Com olhos que matam a sede.

Uma boca

Ardente e pulsante

Molha os sentidos dos olhos

Que enxergam a tua boca

Como um rio a navegar

Os lábios e as flores

Um ríspido desgaste

As gotas finas

Da fina camada penetrativa

Da boca a vida

Louca

Sentida.

Os teus peitos

Solenes

Firmes

Dóceis

Doces a apertar

Os olhos fixos

Fixos focos

Estreitos

Os caminhos.

As pernas

Apertam

Os dedos surgem

Em meio ao caos

Dos gritos

Dos frutos proibidos

Urgem

Os sentidos ocultos.

E quando te encontro

Os olhos

Tontos

Deito e redobra

A saudade em delírios prontos.

Gabriel Meira
Enviado por Gabriel Meira em 08/06/2020
Código do texto: T6971831
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