IDEAL

Não és tu quem eu amo, não és!

Nem Teresa também, nem Ciprina;

Nem Mercedes a loira, nem mesmo

A travessa e gentil Valentina.

Quem eu amo te digo, está longe;

Lá nas terras do império chinês,

Num palácio de louça vermelha

Sobre um trono de azul japonês.

Tem a cútis mais fina e brilhante

Que as bandejas de cobre luzido;

Uns olhinhos de amêndoa, voltados,

Um nariz pequenino e torcido.

Tem uns pés... oh! que pés, Santo Deus!

Mais mimosos que uns pés de criança,

Uma trança de seda e tão longa

Que a barriga das pernas alcança.

Não és tu quem eu amo, nem Laura,

Nem Mercedes, nem Lúcia, já vês;

A mulher que minh'alma idolatra

É princesa do império chinês.

Fagundes Varela
Enviado por Miguel Toledo em 04/12/2019
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