AS LUAS DE MARTE

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Sem meta vagueio nas noites marcianas

buscando nas dunas de face diversa

semblantes amáveis que o vento dispersa

mudando os sorrisos em formas estranhas,

e esmagam meus pés, em mares antigos,

os sonhos de nácar da magra criança:

-escunas, piratas, a mágica lança,

medusas e heróis que jamais foram vivos...

Navegam o eco do abismo sem cor

duas luas –irmãs da pedra infecunda-

fidalgas do nada na exangue planície:

-uma pastora os destroços do amor

feito pó na aurora da vida; a segunda

só chora o meu choro de seca velhice.

Richard Foxe
Enviado por Richard Foxe em 01/09/2019
Código do texto: T6734720
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