Diz

A casa está sem telhado e sem portas.

A árvore que havia, secou

e os abutres que vão e regressam,

pousam no desespero.

Quero correr mas vou secando por dentro

e tal como a árvore e como os pássaros de antes,

fico negro de silêncio.

Nele sou eu a casa devastada,

o muro derrubado,

a vala onde estou contigo

já morto e tão vivo,

já evocação e sem lembrança,

já velho e ainda criança,

já em ti fresca e apodrecida a minha semente.

Diz-me que é sonho,

retrato do incerto,

voz inconsequente do vinho que não bebi.

Edgardo Xavier
Enviado por Edgardo Xavier em 31/05/2018
Código do texto: T6351841
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