HOJE

Sou eu aquele que viu o céu transformar suas estrelas em cadentes,

E o universo perder um a um a sua luz,

Sou eu aquele que entregou todas as fichas do jogo para estar do outro lado,

Sem saber que aquelas prisões se fantasiavam em ilusões.

Sou eu aquele que partiu o coração feito vidro que cai no chão,

Quando corria tentando alcançar a felicidade,

Sou eu aquele velho jovem que viu os sonhos agonizando,

E perdeu a inocência que vertia feito sangue pelas fissuras causadas na pele.

E no espelho aquele do passado não quis me abandonar,

Mas o que se via, contudo, não era mais o mesmo,

O menino hoje era essência, que silenciosamente crescia,

Flor de inverno que aguentou as geadas,

Para que na estação certa pudesse perfumar,

Entendendo que as leis do tempo não giravam como os desejos do coração,

Mas que um sonho era feito casulo, um berço para descansar,

Não como quem desiste de uma caminhada,

Mas como quem viu a lagarta por alguns dias parada,

E no tempo certo em sua metamorfose, na forma de borboleta, nas asas do vento voar.

Voa livre o coração que se cura nas águas da esperança,

Sorri os lábios que não se envenenaram,

O poeta em sua amargura, faz véu doce na solidão,

Para que no dia do abraço, encontre um lar sendo habitação.

Um dia o amanhã se transforma em hoje,

E os olhos descerram para entender que nada é errado,

Quando tudo conduziu até aqui,

No caminho os espinhos que arranharam a minha pele,

Foram os que me conduziram até o perfume da minha flor,

E todas as feridas foram cicatrizadas,

Quando pouco antes do meu último suspiro,

Você estava ali, fazendo valer a pena não desistir de amar,

Entendendo que na vida nada é ganho,

Mas tudo vira paz dentro deste amor.