SEMPRE ÍGINIO

Era fim de tarde, de uma tarde de ventos uivantes,

De uma chuvas lacrimosas e pingos grossos e tristes,

Que vertiam de seus olhos tempestuosos,

Enquanto os seus cabelos negros, esvoaçantes ao vento,

Algemavam-me ao seus desejos sádicos para sempre sem que eu percebesse... Pobre de mim... Delícia de mim...

Acho que foi isso que fez-me quedar-me de amor por ti,

Este teu eterno ar de... Morte... Vida morta... Folhas secas...

Sua pele branca e lisa, perfeita e fria,

Assemelha-se a um tecido nobre, perolado e belo,

Inerte de tão perfeito, assim como a neve nos campos que somente ganha vida, quando suas moléculas são quebradas pelo degelo, pelo grito do cervo morto ou, pelo momento em que o seu sangue é derramado pelo amor do Caçador que lhe tira a vida para ter... Vida...

Vida... Assim és teu amor por mim, matas-me um pouco a cada ano,

Não permite-me viver,

Roubastes a minha paz, devorastes o meu coração, todos estes anos para que somente tu fostes feliz,

E eu, fui feliz com migalhas das sobras que destes de teu afeto a mim, E com eles fiz meu castelo de ilusões...

Mas eu nunca reclamei,

Eu nunca achei ruim,

Ao contrário, fiz de manequins de plástico, seres impossíveis de "serem" tu...

Em noites escuras, frias e solitárias como estas, tão longe de casa, Minhas lembranças tornam-se cruéis e vejo na aurora boreal tua face Egoísta lembrando-me que depois de mais de dez mil dias eu ainda sou teu...

Maldita e bendita Ignío... Eu ainda sou e serei seu...

Por pelo menos mais dez mil anos!

ELIZIO GUSTAVO MIRANDA DOS SANTOS
Enviado por ELIZIO GUSTAVO MIRANDA DOS SANTOS em 04/05/2017
Código do texto: T5989757
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