Eu não sei se o tempo passa
Ou se é bravata do destino.
Se o que espero chegará,
Ou se quero esperar.
Nem de ser, eu não mais sei,
Não condeno os que me traem,
Nem conheço os que traíram.
Se é verdade ou fantasia,
Se um dia aconteceu,
Se Jesus desceu dos céus,
Se eu fiz o meu papel,
Não preciso decifrar
O que não sei soletrar,
Não serei o último,
Não serei o próximo,
Mas também não serei o outro
Em um ninho já habitado.
Não serei coitado ou réu,
Nem por Deus serei julgado,
Tantos adeuses foram dados
E eu ainda continuo
Vivo, como no passado,
Triste, como sempre fui.
Não domino as cores da aquarela,
Não será aquela
A última mulher.
Sempre existe uma janela
Esperando para se abrir,
Deixando a luz penetrar.
Sem as roupas, só lençóis,
Quantas mais vão se acabar nessa cama,
Só se ama quando se veste a nudez...
Só o talvez não realiza, só uma vez não sacia,
Não, a sede propicia,
O digladiar de línguas,
O esbaldar do corpo, o fogo,
Terra água e ar.
Eu não tenho mais as mãos
Tão firmes quanto antes,
Não tenho tantas palavras
Quanto tinha antes,
Sequer o antes eu tenho
Nos seios da minha memória.
Mas tornar-se duro, fazer-se forte,
É engolir a lágrima sem chorar,
É pensar que tudo vai melhorar,
Que o pássaro voltará a cantar
E eu vou poder olhar o mar,
E amar,
Novamente,
Amar.
MARIO SERGIO SOUZA ANDRADE
Enviado por MARIO SERGIO SOUZA ANDRADE em 02/09/2016
Código do texto: T5748562
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