Lembranças

Olhar para o horizonte e não ver algo que deveria estar lá…

Tantas lembranças compartilhadas, momentos incríveis e o passado que passou… Tão rápido como uma bruma que se perde no nada. Penso se tudo que foi tão importante pra mim continua sendo importante pra outras pessoas. Se minhas recordações são recordações de alguém também.

Mas recordações não passam disso — um conjunto de acontecimentos que passaram e não voltam jamais. Como as gotas de chuva que um dia escorreram sobre o meu rosto, como os ponteiros de um relógio resoluto e inabalável.

A vida na verdade é esse conjunto de acontecimentos e um dia, nós que nos tornamos essa bruma que se apaga como a chama de uma vela, tênue e frágil. Vivemos a beira dá desolação que se aloja como um parasita em nossa essência.

E em meio a esse caos, temos um curto e efêmero período, de prazer, alegria, amor. Amor…

Amor que torna o recordar encantador, sublime. Que dá todo o sentindo a existência.

Pode ser amores presentes, passados, correspondidos ou platônicos. São todos amores que se fundem ao nosso ser e faz a vida ser deleitosa, significativa. Nos dá expectativa, esperança, emoções, nos dá um rumo. Faz seguir em frente ou mudar o curso. Nos torna fortes, invictos ou crianças, indefesos. É complexo em sua ambiguidade, e simples em sua clareza.

Nos faz rir, chorar, viver…

E ver que esse ciclo vicioso não para só porque está na nossa vez. Tudo muda e nada sai realmente do lugar — as crianças crescem e agora temos mais crianças, os velhos morrem e agora temos novos velhos. Podemos olhar o passado e ver o futuro. Tudo vira recordação, lembrança.

E mesmo que minhas lembranças não sejam tão importes para outros, elas são reais, isso significa que estive viva. Que amei, que senti, que olhei alguém nos olhos e enxerguei o futuro. Tive aventuras, medo, tristezas, alegrias, decepções. Tive uma vida. Que agora se funde a tantas e tantas lembranças de uma existência que já se foi. E se não existir mais no mundo alguém que guarde essa lembrança mesmo assim, não será o fim. Porque algo real mesmo que tenha sido esquecido, não pode ser apagado.

E não existe nada no universo que seja mais real que o amor que senti. Todos eles. Sem exceção e sem distinção.

Mas como no final todos os amores se fundem em um. E o único a subsistir foi você. Tudo o que senti, todos os meus versos, pensamentos, toda a profundeza que acreditava ser real estava esperando por você para se tornar genuína. Então dedico a você a veracidade das minhas lembranças. E mesmo que sejam enterradas com suas cinzas e não tenha mais valor. Tivemos nosso momento, vivemos, amamos. Ninguém pode apagar isso! E é só o que importa...

A ADrya
Enviado por A ADrya em 21/08/2016
Reeditado em 20/01/2019
Código do texto: T5734986
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