Metrô
Esquivei-me de pensar,
mas o sonho é realidade etérea,
feita de visão, sensibilidade,
leveza, angústia e saudade.
Foi o que senti quando entraste no trem,
retornando ou chegando, já não sei.
Mas o sonho que durou mero instante
não consegue largar meus pensamentos
O que fiz, na circunstância de tua proximidade?
Busquei a eternidade naquele momento.
Li, sobre os óculos, a mensagem do teu rosto,
concentrado em tua música e ignorando o próprio encanto.
Ah! Se pudesses ao menos perceber no meu olhar de posse,
a mensagem de afeto,
o muito deste enlevo e a curiosidade por ouvir tua voz,
saber teu nome, conhecer teu íntimo.
Acho que assim entenderias o poema vindo de meu olhar,
no momento impossível de ser escrito,
mas renascido neste instante em que estou
figurando na solidão-tumulto, ainda aguardando o metrô.