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Bailarina da estrela

Longínqua, porém decidida,
cintilava aquela luz,
pequena, clara, talvez frágil,
de estáticos astros entre o mar infinito,
porque dançava chamou minha atenção.

Riscando o espaço se ia,
rodopios, com saltos, leveza...
Cativou-me a buscar os seus passos
pelo breu do estéril além
porque o tempo mensura não tinha.

E quando até ela cheguei-me,
de mera estrela menina
chequei que nada mais era,
mas logo tudo seria.

E, como de lábios sorria
pontas e olhos a luz feminina,
perguntei-lhe: "por que danças
se hibernam todas as outras"?

- Olhai-me no esquerdo dos olhos,
guardo nele tua bailarina.
Porque virias, dançava...
Porque chegaste, sorria.

Fascinado, topei no espaço
e vi minha estrela dançante chorar.
Perdido, caí-me no breu
até cruzar a fértil luz rumo à Terra
onde o homem o tempo mensura.

Por milhares de luas procurar insisti,
por claros e tempestuosos céus nus,
a estrela cadente caísse dançando,
saltando e sorrindo,
brilhasse até mim.

Após quase dez translações,
uma nova manhã regressava.
Sumiam-se os pontos de prata
porque o sol o espaço vestia.

No alvorecer, a fitar-me,
surgiu uma bailarina.
Perguntou-me: "Por que as estrelas
o atraem se tão longe elas habitam"?

Olhei-lhe o esquerdo dos olhos,
sob ele, uma pinta graceira.
Por ser ela, dançava...
Por trazer minha estrela, eu sorria.
Saulo Pessato
Enviado por Saulo Pessato em 11/08/2015
Código do texto: T5342433
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Saulo Pessato
Campinas - São Paulo - Brasil
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Saulo Pessato