SILÊNCIO
O meu amor já partiu
Sem nome, sem sobrenome
Nem mesmo um definido pronome
Que o possa designar
Na terra do esquecimento
Viveu enquanto teve sorte
E do lado de lá destes ares
E bem além destes mares
Ainda procuro o olhar amoroso
Talvez eu tenha sido carinhoso
Quem sabe, quiçá!
A minha vida continua neste silêncio
Onde cada noite abordo uma estrela
Converso com as nuvens, abraço a lua
Falo ao pôr-do-sol, persigo cometas
É um silêncio total
E os teus lábios procuram os meus
E os meus dias procuram os teus
Nem sei mais teu nome
Pois tu partes a todo instante
A saudade me invade a cada segundo
E eu te vejo...
Imaginando em teus olhos
A imagem refletida da minha face te espreitando
E meu nome cravado na pedra
Imagino, sôfrego
São os últimos minutos de consciência
Você chora, pessoas falam
Elas vêm e vão
Outros amores virão
Na terra do esquecimento
As luzes se apagam
São os últimos momentos
Os últimos pensamentos
Desse amor de ninguém