Enquanto você dormia...
Hoje ao acordar
percebi que inda era noite,
e que a poesia adormecia
no teu olhar taciturno...
e por algum tempo
vivi tua respiração,
aconcheguei-me no teu braço...
sequer senti frio ou vazio,
astros orbitavam a nossa volta,
meus dedos guardavam os teus,
despi-me da lucidez
pra viver nesse balouço...
fugi de tudo, fugi do mundo
pra sussurrar-te poemas,
pra flutuar nas tuas brumas...
e enquanto o sol alaranjava o céu,
despedíamos ambos da Lua,
numa saudade eterna e nua,
de nos encontrarmos novamente
sob esse mesmo véu.
Denise Matos