Não tranque a saudade
Não tranque a saudade
Marcos Hume
Não tranque a saudade,
Nesse porão cretino,
Que deixa tudo sem olhar,
Perdido num deserto.
A fala mansa tua me diz nada,
Sobre um amor preso,
Numa vida perdida e ferida,
Levando surras novas.
Amanheço sem você na hora viva,
Vendo tudo voar sem medo,
Sabendo que um dia terei teu beijo,
Que sempre me acordava.
Um sono quebrado hoje,
Saindo do grito meu,
Que desperta sem teu toque,
Velando minha visão.
O teu olhar me explica tudo,
Sem dizer mais nada,
Na veloz piedade,
Que me resta sonhar.
Aplauso ouve sempre,
Em meu quieto arquiteto,
Que sou às vezes,
Imaginando a nossa esperança.
Tento saber mais de você,
Fazendo visitas demoradas,
Em tua casa roubada,
Do meu coração.
A linha do tempo é ofendida,
Pela maldita frase que jorra,
Na pior hora nossa,
No dia infeliz,
Nascido.
Vejo o teu lindo fio,
De um girassol fingido,
Que mostra todo brilho,
Crescido em cada banho,
Do meu sol.
Vou chorar mais um dia,
Tocando a dor em mim,
Que nega ir embora,
Conhecer outro caminho.
O vento abraça árvore crescida,
Na veloz saudade esquecida por você,
Negando o amor raro,
Que não é achado.
Quero outro olhar sincero,
Pra te achar na mentira,
Que vale mais pra você,
Do que pra nossa dor.
Aconteceu um dia,
Caiu uma hora do teu tempo,
Quebrando o teu silencio maldito,
Que me deixa perturbado.
Eu tenho lembranças,
Eu quero ter você perto agora,
Jogando amizade de lado,
Ganhando o beijo real.
Não seja uma mulher amarga,
Nesta declaração rara,
Que só nasce,
Em dores ousadas.
Olha pra mim amor,
Não fuja mais,
Desse estranho conhecido,
Que anda na danada solidão.
Escrito por: Marcos Hume
Poema para LILICA