CÁRCERE PRIVADO
Senhora, tu és o meu cárcere privado,
A muralha que circunda o meu desespero,
As lágrimas que tenho derramado.
Livra-me desse suplício atroz;
Dona da minha vida.
Por caridade! Não sejas o meu algoz!
Senhora, tu és o meu cárcere privado,
A lembrança ruim de um passado,
O verdugo de um desgraçado.
Livra-me dessa clausura de rancor;
Onde a felicidade não pode penetrar,
E o ódio é mais poderoso que o amor.
Senhora, tu és o meu cárcere privado,
O delírio fugaz da minha razão,
O infortúnio de um amanhecer alucinado.
Livra-me dessa miséra tortura.
Quero sentir a liberdade apossar-se de mim,
E ouvir as palavras que o vento murmura.
Haroldo Franco
06/12/1986