O ÚLTIMO SUSPIRO DE AMOR

O ÚLTIMO SUSPIRO DE AMOR

J.B.Xavier

Restou-me ainda um suspiro,

dos tantos que me roubaste,

um hausto de esperança

uma transfiguração desavisada,

uma imagem imaculada

e uma espera desesperançada...

Mas trago-o no peito,

suspenso como gotas de orvalho

no inverno de algum ramo descuidado,

trago-o como prenúncio sempre aguardado

como um lamento há tanto anunciado,

como um ocaso que findou, sem ter findado...

trago-o irresoluto, indeciso e inerte

como se da morte já lhe fora dado

o anúncio do último chamamento...

Guardo-o como a realidade que nunca aconteceu,

o sonho que ninguém jamais viveu

como um sorriso que o tempo entristeceu...

Guardo-o como última réstia de vida

de um amor que o tempo soterrou

como o último arco-íris

sobre o encanto já tão desencantado,

sobre o colorido de um óleo desmaiado,

sobre a expectativa do que já não é esperado...

E de tudo o que se foi, ficou apenas

essa agonia de ver nascer um novo dia

e anoitecer e ver de novo outra aurora

na eterna progressão com que deliro

mas guardo-o no abismo teu, em que me atiro

porque nele tu estarás, quando eu exalar este último suspiro...

* * *

JB Xavier
Enviado por JB Xavier em 06/07/2009
Código do texto: T1684920
Classificação de conteúdo: seguro