À Noite, sob o vento do escuro
Noite intensa que se aprofundava triste
E amargurada pelos raios saltitantes
Que salpicavam a paisagem negra;
Paisagem de dois intensos amantes.
Ao luar prateado que emergia,
Duas criaturas se emaranhavam
Num pulso forte de pura energia;
Sentimentos que os embriagavam.
Levados pelo sentimento primitivo,
Dançavam, um sobre o outro,
E ao mesmo tempo estáticos
Brindavam os tempos vindouros.
As fracas silhuetas,
Que com velocidade se movimentavam,
Corriam em suas curvas definidas
Enquanto os corpos se unificavam.
Duas formas desapareciam,
Sendo tomadas por uma única a transpor,
Os corpos se uniam;
Transformando-se numa túnica de amor.
As vertigens que embaçavam suas vistas
Faziam bolhas e listras negras no fundo escuro do céu,
E os pontilhados de estrelas brancas e bem-quistas
Davam brilho ao luto do véu.
E então, como num estalo,
Os corpos pararam, saciados de seus desejos,
E sentindo o forte abalo,
Separam-se em seus receios.
Retornam juntos pela estrada,
Enquanto a lua prata que espreitava
Continua sempre ali, parada,
Testemunhando o ímpeto de cada ser que se amava.
E numa noite intensa e aprofundada,
A lua nunca pareceu tão bela.
Esbanjava sorrisos na cara
De pura convicção singela.