Minha Angustia

Vejo as folhas de um outono guardado,

Amareladas com o tempo e a distância,

Num horizonte onde o mar é infinito,

E o amor vai se tornando apenas um grito,

Que aos poucos parece ir se apagando.

Vejo as contas de multiplicar e dividir,

Dividindo vidas já tão amarguradas,

Entre o materialismo e as aparências.

Vejo os belos sonhos sendo esquecidos,

E o amanhã tornando-se muito mais vazio.

E em meio as rugas de um sorriso falso,

Vejo um grande espelho refletindo tudo,

Sendo polido com esmero numa mentira sórdida.

Vejo folhas soltas assim neste outono derradeiro,

Não mais realizarem nossos sonhos verdadeiros,

Pois diante de tanta duvida e covardia,

Foram perdendo o encanto que as prendia,

Nos tornando cada vez mais distantes.

E assim em total angustia e desespero,

Vejo-me aqui alheia a tudo que se passa,

Traçando um rumo totalmente sem graça,

E uma vez mais compartilhando com a solidão,

A minha poesia e a minha total desilusão.

09/05/06 – 00:41 hs

Sonia Ferraz
Enviado por Sonia Ferraz em 10/05/2006
Reeditado em 02/05/2013
Código do texto: T153562
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