Mi Compañero!

Compañero!

Peregrino solitário.

Por que caminhas a esmo?

Com teus arcos e flexas.

Rasga as tuas facetas efêmeras

nas sombras, no brilho dos astros,

na força da lua.

Compañero!

Um anjo

embruscado em seus delírios.

Mi compañero!

Busca nas formas dos teus sustenidos

teus gritos e gemidos

um homem assombrado por uma mulher:

metade angel, metade serpente.

Esfinge do amor

Indecente.

Compañero!

Sacode a poeira de tuas gavetas da alma.

Busca em minha persona

as máscaras de uma bela dama de vermelho

com os teus sombreros.

Os sapateados de uma dançarina de cabaret.

Passos largos nas escadas para o céu.

Busca nas ilhas gregas

os perdidos sentimentos

por uma singela menina

ao casar-se com um homem

igualmente jovem e guerreiro.

Mi compañero!

Desperta para uma mulher cigana,

Insana.

Selvagem.

Pois sou o reflexo de tua própria luz

nas miragens dos teus espelhos

destas águas azuis

e chão forrado de estrelas.

Deixe as vidraças sempre abertas para os vendavais

e depois de uma tempestade de um final de tarde

os anjos virão lhe buscar...

nas formas mais secretas, àsperas

dentro dos olhos de uma mulher que tu,

anjo guerreiro

deixastes voar

por entre as margens do destino

de uma noite esplêndida e fugaz

Como um rufar de asas de borboletas no vento

na janela do sétimo andar.

Verônica Partinski
Enviado por Verônica Partinski em 27/08/2008
Reeditado em 14/09/2008
Código do texto: T1147996
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