Mi Compañero!
Compañero!
Peregrino solitário.
Por que caminhas a esmo?
Com teus arcos e flexas.
Rasga as tuas facetas efêmeras
nas sombras, no brilho dos astros,
na força da lua.
Compañero!
Um anjo
embruscado em seus delírios.
Mi compañero!
Busca nas formas dos teus sustenidos
teus gritos e gemidos
um homem assombrado por uma mulher:
metade angel, metade serpente.
Esfinge do amor
Indecente.
Compañero!
Sacode a poeira de tuas gavetas da alma.
Busca em minha persona
as máscaras de uma bela dama de vermelho
com os teus sombreros.
Os sapateados de uma dançarina de cabaret.
Passos largos nas escadas para o céu.
Busca nas ilhas gregas
os perdidos sentimentos
por uma singela menina
ao casar-se com um homem
igualmente jovem e guerreiro.
Mi compañero!
Desperta para uma mulher cigana,
Insana.
Selvagem.
Pois sou o reflexo de tua própria luz
nas miragens dos teus espelhos
destas águas azuis
e chão forrado de estrelas.
Deixe as vidraças sempre abertas para os vendavais
e depois de uma tempestade de um final de tarde
os anjos virão lhe buscar...
nas formas mais secretas, àsperas
dentro dos olhos de uma mulher que tu,
anjo guerreiro
deixastes voar
por entre as margens do destino
de uma noite esplêndida e fugaz
Como um rufar de asas de borboletas no vento
na janela do sétimo andar.