À ESPERA DELA

Postado na janela a esperá-la sem delongas

Rogo ao tempo que se vá, mas, sem demoras.

Ao longe escuto canção, umas milongas

E isto me sustenta e me serve de escoras.

Iria mais célere, fagueiro, não fosse meu barco à vela

Na ânsia de me apressar e ter meu par de olhos nela.

Contemplo-a acercando-se ao longe, ainda pela janela

Faceira, airosa, cheia de vida, e cada vez mais bela!

Traz uma flor que lhe enfeita o cabelo a lembrar primavera

E quando se aproxima, meu coração logo exclama, é ela!

Meu par de olhos não me trai e só assim me norteia

Dois mundos em um só mundo que o coração enleia.

E quando se vai a donzela ouço ao longe o som da viola

Meu coração doído, acelerado, ao escutá-la, chora!

Espero-a noutro tempo e que se venha sem demora

No alvorejar do novo dia encetado desde a aurora.

José Luciano
Enviado por José Luciano em 07/04/2019
Código do texto: T6617908
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