VOO DE LIBERDADE
(Carta de Alforria)
(Sócrates Di Lima)
Fui escravo do teu coração por necessidades,
Na senzala da tua alma fui teu prisioneiro.,
No tronco da vida levei chibatadas de saudades,
E muitas lágrimas eu derramei na solidão do meu cativeiro.
Meus braços sem teus abraços atrofiaram,
Meu corpo sem teu corpo seus sinais envelheceram.,
Meus lábios sem teus beijos secaram,
Meus pés descalços do teu amor travaram.
E eu passei longos dias acorrentado,
Na solidão das noites sem luar,
No meu tédio fiquei trancafiado,
Com a tristeza, única a me acompanhar.
Mas um dia a janela dos meus sonhos se abriu,
E um anjo vestido de mulher me chamou,
Levantei-me, olhei á janela e ela me sorriu,
Chamou-me, pediu minhas mãos e exclamou.
- Liberto-te das tuas amarras que te atormentam,
Livro-te das tuas angustias de amor.,
Vai-te, voe para longe nas asas que te sustentam,
Busca outro amor, pois este que tens só lhe será dor.
E uma luz intensa meus olhos cegaram,
Por instantes deu-me uma vontade de gritar.,
- Estou livre, meus Deus, me libertaram,
E minha face a última lágrima se fez ecoar.
E como se tivesse asas voei para outros Quilombos,
Onde a liberdade de amar era um grito de guerra.,
Minha alma leve, não se via mais em assombros,
Poderia amar de novo e o passado minha alma enterra.
Aquele amor que me fazia sofrer sem precisão,
De tanto silêncio se perdeu da multidão.,
Já não faz mais sentido esse amor de compaixão,
Que me aprisionava nas senzalas do meu coração.
E naquela tarde de tristeza a que me sucumbia,
Aquele anjo mulher me libertou e me deu alegria.,
Num voo de liberdade fez sentido o que sentia,
E o meu coração voou nesta carta de alforria.
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Um poema de 2011, que estava guardado
hoje resolvi publicar