VIDA RIBEIRINHA

"Moro no meio de tudo onde não existe nada"

Não tem tv, telefone, e de tecnologia o povo lá não endedi nada,

"Moro onde não mora ninguém"

Bem no fundo escondinho construí minha palhoça

Pra mode agasalhar meus moleques,

E fazer desse lugar meu luxo meu aconchego meu lar.

Lá de certo não tem tecnologia, e nem um sinal de modernidade, muito menos o espio vilhaco da vida alheia.

Tem uma família modesta, povoada de curumins e cunhantãs que ainda brincam de sisconde, manja, pega pega no terreiro,

Pela manhã a bicharada animada marca horas no terraço e na mangubeira.

Enquanto da janela a metros do barranco encharcado, o alimento pendurado na malha de bubuia me espera.

Ainda no almoço a cachorada, macaco e cutia, junto as outras istripulias disputam a dentes e unhas o território com tamanha valentia.

Já de tardezinha me sobra tempo pra sentar e assisti o retorno do rebanho, ah bicho insolente, não dorme, vagueia de dia e passa a noirte remoendo

Antes do sol se pôr, sem relógio ou chefia garças, canaros, pipira, na vegetação rasteira faz cada bando sua travessia.

Em um lugar onde não existe nada, descobri que a felicidade não está aqui no meio dessa coisarada. Está lá junto aos meus pequeninos que com pedidos de bencão, ansiosos aguardam, moço, minha chegada.

Certa vez perguntou seu doutor, Que lugar isquisito é esse no fim do mundo, no meio de tudo onde nao existe nada?

Com olhos fitos nos céus, tirei o meu chapéu e respondi: louvado seja Deus! E Desculpe seu doutor, mas lá não me farta nada, esse lugar é meu tudo, meu canto, meu regaço, meu refúgio minha morada.