CAIS

Passeio na garupa do vento,

Monto nos raios da lua,

Caminho nas entranhas da noite,

Na escuridão posta nua

Vagueia minha alma cadente.

Supero os arranha-céus

Dobro as fibras de todos os véus

No titubear do ventre.

O cais, longínquo... flutuante...

Migra da imaginação

Posto a frente de luzes da constelação

De astros encandecentes.

Moças.... homens decentes,

Perdidos na praia sem farol,

Atol, ilhas e mares

Rumores e amores.

Perfume da maestria da noite

Salta aos olhos os ardores

Que lacrimejam as imagens

Diante das sombras das retinas,

Estranhos vultos, cortinas

Que cerram as luzes da estrada.

A frente das janelas,

Mazelas abertas como ferida

Na cauda de um cometa candente

Na passagem da vida esbaforida.

João Marques
Enviado por João Marques em 14/01/2013
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