CAIS
Passeio na garupa do vento,
Monto nos raios da lua,
Caminho nas entranhas da noite,
Na escuridão posta nua
Vagueia minha alma cadente.
Supero os arranha-céus
Dobro as fibras de todos os véus
No titubear do ventre.
O cais, longínquo... flutuante...
Migra da imaginação
Posto a frente de luzes da constelação
De astros encandecentes.
Moças.... homens decentes,
Perdidos na praia sem farol,
Atol, ilhas e mares
Rumores e amores.
Perfume da maestria da noite
Salta aos olhos os ardores
Que lacrimejam as imagens
Diante das sombras das retinas,
Estranhos vultos, cortinas
Que cerram as luzes da estrada.
A frente das janelas,
Mazelas abertas como ferida
Na cauda de um cometa candente
Na passagem da vida esbaforida.