Memórias

Eu hoje me livrei de fardos,

mórbidos lembretes que ocupam "bytes" da velha memória.

A jaqueta jeans desbotada tinha em seus bolsos uma carta.

Velha, cinza, suja e perfeita.

Era o adeus a uma deusa única, rainha sem reino...

Nem afrodite, nefertiti ou outra qualquer...

mas aquela por quem meus dias eram vividos.

Chorei, sorri, plagiei, enfim...

tanta memória, tanta coisa.

Era um tempo em que éramos nós,

hoje o eu, o tu, são partes desiguais.

Cada um na sua, enfim, sobrou a velha canção do Renato,

aquela que fala de união no mundo complicado.

Sobrou mais que isso, sobrou desavenças, desamores.

Estado letárgico de um adeus, fim do filme sem graça,

fim da linha...

Joguei fora um trilhão de minutos, todos juntos

perdidos no tempo.

Joguei a infância revertida de amor,

os projetos, os sonhos, realizações.

O cálice da última noite, no último beijo,

o cheiro do sexo ainda me veio....

Ahhhhhh. Que doce sabor.

Joguei fora, e para sempre.

VALBER DINIZ
Enviado por VALBER DINIZ em 03/08/2010
Reeditado em 19/04/2011
Código do texto: T2415710
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