Corpos.

Você não me entende.

Não entende minhas escolhas

não entende meus desejos,

não entende nem minhas dores.

Se reclamo de alguma situação,

você não entende

você não me aceita,

nunca me aceitou.

Sempre fui visto como a vergonha,

o estranho sem alma,

e por isso, um corpo sem direitos.

Meu corpo maltratado,

não tinha direito ao choro,

nem mesmo a pedido de desculpas.

"Eu escolhi", você me disse,

e as feridas não cicatrizaram

as feridas continuavam abertas.

Nas esquinas das noites frias.

eu, a aberração e a vergonha da família,

era alvo de prazeres a balas.

"Eu escolhi", você disse no hospital.

Meu corpo, machucado, humilhado,

sem direitos e sem proteção,

alvo de todos os ódios, de todos os preconceitos,

alvo de prazeres e balas.

"Eu escolhi", você disse.

As estrelas do céu não tem a mesma luz da passarela.

Transito por entre carros e becos,

sou riso, esperança, sou rainha.

sou noite, sou dia

Sou eu no meu caminho

Sou eu nos meus sonhos e desejos

Sou vida, sou amor.

Isso, você não me disse.