Alucinação

 

Rósea arquitetura em carne e osso,
Seduz, plena, o outrora imberbe moço,
Encantado, mira os quadros de seus olhos,
Desejo reunido em idílicos espólios.

 

A sanha do condoído, inflamado pretendente,
Deságua pranto contido em fina torrente,
Não pesarosa em lágrima salgada,
Mas inspirado clamor à airosa amada.

 

No fundo do olhar, miríades de estrelas perdidas
Denunciam as marcas da paixão jamais olvidada,
Lembrança etérea do indecoroso mistério,
Que lhe permeia os sonhos em delírio.

 

A face do desespero ainda o acompanha em silêncio,
Ao passo que a sanidade, se esvai com o eco do grito.
Vagando pelas praças, sente que é dela o jasmim.
Adormece na relva quase nua, envolto ao seu colo de marfim.

 

Marcus Hemerly & Patrícia Motta de Meo