Normando Blosson
cortando caminhos
tentando cortar conversas fiadas
paradoxando a si mesmo...

já que o que lhe faria feliz
era não ficar mais sozinho.


"Quem vai? Quem foi?
quem... nunca...
quem jamais... Será seu?"


Normando Blosson não dá
topadas, não entorta a boca
não comete grandes excessos
ou pequenos delitos

não sobe nas mesas
não fica tonto...
está sempre sóbrio

e é só… sempre só.

é sóbrio comendo...
sempre vivo, saboreando
tudo, ele sente o sabor

do que é sóbrio, subindo...

sempre vivo e pés doloridos
seus tênis brancos, pretos
marrons, vermelhos e azuis.

E ele também é sóbrio chorando
e também será sóbrio morrendo…
é será sóbrio vivo e acordando.

todo dia renasce
e será sempre sóbrio
desistente apesar de
estar vivo, muito vivo

 

vivo,  vivo, muito vivo demais.

"Quem vai? Quem foi?
quem... nunca...
quem jamais... Será seu?"


O bebê aprende a chorar
pois sabe das recompensas.

 

Normando Blosson

não chora mais... 

 

ele vê de soslaio as nuvens

e as estrelas ele olha com força.

assim como o crime
ao ladrão… a tristeza
não lhe compensa.

não importa "por quem"
não importa "quem foi"
não importa "se nunca"

 

e nem se jamais... "Será seu".

 

Henrique Britto
Enviado por Henrique Britto em 08/03/2025
Código do texto: T8280890
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.